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O lado negro do Sr.McDonald's - Parte 1

 
Ola, a todos caros amigos rebobinantes, essa postagem foi criada com base no estudo chamado: O evangelho segundo o McDonald's, feito por alunos Pós Graduados da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O estudo aborda o processo de produção da cadeia de fast-food McDonald's, por ser muito longo, não postei o estudo todo aqui, mas apenas os trechos que julguei serem mais interessantes para a postagem, procurei usar palavras de fácil entendimento para todos e coloquei um titulo mais de acordo com a informação que queria passar. No final da postagem deixarei o link da fonte com o estudo completo.
O McDonald's é uma das, se não a maior rede de fast-food do mundo. São mais de 30.000 lojas em 120 países, e 50 milhões de clientes atendidos todos os dias. O seu negócio é vender produtos rápidos e saborosos. Os principais pratos do McDonald's são criados com esses dois princípios garantidos; agradar a maioria dos paladares e ser consumido de maneira rápida. Mas por trás de toda essa eficiência, se esconde uma pratica trabalhista abusiva e exploratória.
De acordo com o estudo, a rede de fast-food McDonald's esta inserida no modelo de produção denominado Toyotismo, que tem por característica: O trabalho em equipe, e a mão-de-obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa.
O Mc escravo feliz
As metas são traçadas e destinadas às equipes de trabalho que, movidas pelos “prêmios”, instalam a competitividade e todos trabalham em ritmo acelerado. Este espírito de equipe criado pela empresa permite que o trabalhador permaneça trabalhando mesmo após as oito horas diárias permitidas. O trabalho em equipe favorece à empresa por exigir uma maior cobrança sobre o trabalhador, permitindo que se cobre deste trabalhador o cumprimento de determinados conhecimentos que extrapolam as exigências da função para a qual foi contratado. Para tanto, a rede promove competições com a finalidade de provocar no trabalhador o conhecimento de procedimentos que envolvem todo o processo produtivo.
O conteúdo das competições implica saber exatamente, por exemplo, o tempo exato de fritura para preparo do hambúrguer, da batata e dos demais alimentos que comercializam. A equipe ainda deve saber como funcionam os equipamentos, qual peso exato dos produtos e o tempo de preparo de cada um; enfim, além de dominarem o trabalho de todas as estações de produção, inclusive a de caixa, devem ter conhecimento de toda a informação referente ao funcionamento dos maquinários que operam. Para tanto, não poupam esforços. Como afirmam em seus depoimentos:
quando se aprende uma estação de trabalho, por exemplo, a chapa, onde frita o hambúrguer para colocar no lanche, cada estação tem um papel que chama nível de verificação. São listas de procedimentos de trabalho (...) mas a gente tem que saber dados do produto da estação, o equipamento, aí a gente leva o manualzinho, que é um livrinho, para casa, para estudar. Eu comecei a levar pra casa, e a maioria dos colegas também, desde que comecei a trabalhar e ficava estudando, estudando para ir bem, eu e minha equipe, nas competições (Funcionário da rede, em entrevista para esta pesquisa). 
 
A exploração


Além do trabalho em equipe, ocorrem também competições entre elas, abordando o funcionamento do maquinário que operam, possibilitando, desta forma, o conserto, caso ocorra algum problema técnico ou numa eventual emergência, descartando a necessidade de um técnico para reparar pequenos problemas e, consequentemente, não demandando interrupção da produção.

Existem competições dentro da empresa que faz com que o funcionário não se dedique à empresa só na hora do trabalho (...) só os funcionários extremamente capacitados, treinados e muito interessados sabem qual o peso, especificações de equipamento que só o técnico sabe. Então, o que agente faz: acaba levando os livrinhos para casa, porque a gente não tem tempo de estudar na hora do trabalho, a gente não pára, em casa a gente fica decorando, para ser o melhor da estação, para vencer a competição da loja e fazer a loja vencer a competição do setor e, depois, representar o setor junto dos outros setores (Funcionário da rede, em entrevista para esta pesquisa).

Podemos crer, desta forma, que o espírito de competição disfarça uma maior exploração do trabalhador, que constantemente busca superar-se, ultrapassando, muitas vezes, seu período de trabalho sem remuneração. Para safar-se das horas extras, a empresa, através de seus gerentes, influencia cautelosamente os trabalhadores a registrarem seus cartões de ponto e voltarem ao trabalho.

Na ausência de bons salários as redes tentam inculcar o espírito de equipe nos jovens. Àqueles que não trabalham com afinco, que chegam tarde ou que relutam em ficar além do horário é transmitida a noção de que estão dificultando a vida de todos os demais, deixando os amigos e colegas na mão. (SCHLOSSER, 2002, p. 102)

O atendimento


No balcão da frente, caixas registradoras computadorizadas soltam seus pedidos. Assim que um pedido é feito, botões se acendem, sugerindo outros itens do cardápio a serem acrescentados. Os funcionários que trabalham no balcão são instruídos a aumentar o tamanho de um pedido com recomendações de promoções especiais, empurrando sobremesas, apontando para a lógica financeira por traz da compra de um refrigerante maior. Ao mesmo tempo em que fazem isso, são instruídos a se comportarem de maneira agradável e amigável. (SCHLOSSER, 2002, p. 96)

 A Gerência


Para o sucesso desta forma de organização nos restaurantes, a rede investe pesado no treinamento de sua gerência, que coordena diretamente o trabalho dos atendentes. De acordo com um dos gerentes que entrevistamos, seu perfil deve ser de alguém simpático, orgulhoso da empresa em que trabalha, um exemplo a ser seguido, já que iniciou sua carreira como atendente ; no entanto, nem todos conseguem manter esta simpatia constante. Em muitas entrevistas, os atendentes reclamaram da forma de tratamento dos gerentes, que muitas vezes agem com estupidez e gritam, fazendo exigências impossíveis de serem cumpridas. Como disse um funcionário, “na hora de maior movimento a gente tem de fazer as coisas ainda mais rápido, e se é um dia que a gente não tá muito ligado, o gerente grita mesmo” (Funcionário do McDonald’s, em entrevista para esta pesquisa).
 
A estratégia construída pela rede torna a recompensa verbal um substituto do pagamento de horas-extras e de melhores salários, ocultando, desta forma, a verdadeira intenção da empresa, que é de maior exploração da força de trabalho e, conseqüentemente, maior lucratividade.

Bom galera, a verdade é que, a gente vê muito disso na maioria das empresas hoje em dia, para garantir o emprego temos sempre que fazer alem da nossa função, mas muitas redes de fast-food como a citada aqui tem extrapolado. Até a próxima pessoal.


Veja também: O lado negro do Sr.McDonald's - Parte 2

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CARMEN LUCIA RODRIGUES ALVES: “O EVANGELHO SEGUNDO O McDONALD’S UM ESTUDO SOBRE O PROCESSO DE PRODUÇÃO DA FAST-FOOD”. (Dissertação apresentada ao Programa de Estudos PósGraduados em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em História (Área de Concentração: História Social), sob orientação do Prof. Dr. Antonio Rago Filho). Pontifícia Universidade Católica. São Paulo, 2006.

Nota:
As imagens inseridas no texto não se incluem na referida tese, foram retiradas do Google.
As referências bibliográficas de que faz menção o autor, estão devidamente catalogadas na citada obra.


10 Comentários:

Thalita Oliveira rebobinou e disse...

Caraca, tô chocada com isso !
Quanta safadeza, tadinho dos trabalhadores, mal desconfiam que estão sendo escravizados oO'

Adorei o post

Marcos Mariano rebobinou e disse...

Pois é Thalita, esse é o novo modelo de escravidão, é a escravidão moderna, maquiada e disfarçada de espírito de equipe e motivação.

Reflexo do nada. rebobinou e disse...

Em pensar assim é que vemos que muitas empresas usam o mesmo sistema.
As vezes meio camuflado, mas a verdadeira face do capitalismo.
Adorei o post, muito inteligente e esclarecedor.
Obrigado pela visita.
E pode contar comigo sempre.

Eduardo Montanari rebobinou e disse...

Das muitas vontade que tenho na vida, ir comer algo no McDonalds nunca foi uma delas. Já fui, já comi, mas não vejo graça, pois acho uma propagando enganosa do caralho. O BigMac por exemplo, não tem nada de Big. Prefiro comer lanches nos carrinhos da esquina.

Samanta Sammy rebobinou e disse...

Olá,

Excelente iniciativa de divulgar estas informações, infelizmente muitas empresas utilizam este tipo de conduta.
Eu por exemplo trabalhei 1 ano e meio na loja própria da Arezzo na Oscar Freire em Sp e a rotina é exatamente a mesma.
Temos treinamentos para conhecer todo o processo de fabricação, também aprendemos a atuar em todas as áreas da loja, e acho isso super válido, mas o problema é a exploração de horários e metas.
Em mês como dezembro que tem o Natal ou Maio, dia das mães, trabalhamos 12 hs por dia durante 30 dias, só folgando no mês seguinte por 5 dias.
Isso é sub humano e sei que acontece em todas as lojas do comércio. Em liquidações , etc, chegamos muito mais cedo e saímos muito mais tarde, arrumando estoque, remarcando preços, etc. Em dias de lançamento, também a jornada é dobrada, e já entrei as 8 da manhã, e saí a meia noite.
Fora o absurdo de comércio abrir aos domingos e feriados, e termos só uma folga semanal, mas o problema maior é que para bater as metas altíssima, acabamos não usufruindo das folgas e trabalhamos sem cessar e geralmente em horário estendido para conseguir alcançar o que é estipulado.
Existem muitas competições internas, onde temos que levar material para casa e estudar muito a fim de garantir o sucesso da equipe e estabilidade.
Conclusão, saí tem um ano, e a equipe de 14 vendedoras da época, hoje só 3 estão ativas por lá, ninguém aguenta !
Enfim, existe muito abuso por aí, infelizmente.
Abçs e boa semana !

Marcos Mariano rebobinou e disse...

- Olá, amiga do blog Reflexo do nada, é verdade as grandes empresas encontraram um jeito de explorar seus funcionários e escapar da fiscalização ao mesmo tempo, colocando tudo dentro da lógica da motivação e trabalho em equipe, fazendo assim que seus próprios funcionários sejam coniventes com essa exploração.



- Olá Edu, pois é, esta tudo dentro do esquema, eles usam o engôdo tanto pra vender como para explorar, a tática é convencer o cliente que ele esta saindo na vantagem, quando não esta, a mesma coisa eles fazem com os funcionários.



- Olá, Samanta, é realmente preocupante mas essa pratica exploratória esta sendo usada pela maioria das grandes empresas, estamos vivendo na geração do escravo moderno, que é justamente aquele escravo que é explorado com o seu próprio concentimento.

Um grande abraço a todos

Sissym rebobinou e disse...

Eu só vou ao MD em ultimo caso, prefiro escolher uma lanchonete da esquina. Eu ja assisti o filme sobre os efeitos nocivos da alimentação MD à saúde. E sobre como trabalham, isso é um fato. Há 20 anos atras, uma colega de cursinho trabalhava lá para ajudar nos estudos, e era um sistem rígido. Eu acho que o atendimento caiu e demais, já foi melhor e hoje é péssimo. Não sei se são todas as lojas, mas não sei indicar alguma que seja boa realmente.

Interessante este estudo e as criticas.

Quanto ao abuso das empresas se aproveitando das necessidades dos funcionários, estes fazem horas extras sem receber, é o mal do século. Trabalha-se cada vez mais e a qualidade de vida caiu vertiginosamente.

Bjs

Angelus rebobinou e disse...

Essa é uma estratégia muito inteligente dessas empresas e prejudicial ao trabalhador. O acúmulo de tarefas e a multiespecialização fazem com que a empresa invista em menos mão de obra, já que os demais funcionários englobam mais de uma função.
E além disso, essas promoções ditas "vantajosas" só servem para ludibriar o consumidor.
Gostei muito desse post; esclareceu muita coisa. Agora entendo a lógica por trás dessas empresas.

Mudando de assunto um instante, obrigado pela visita ao meu blog.

Marcos Mariano rebobinou e disse...

- Olá Sissym, nem me fale sobre o atendimento, as vezes vou ao MD, a já perdi as contas do quanto já me aborreci la, nunca assisti esse filme, sobre o MD, mas fiquem sabendo, vou ver se assisto. Mas quanto ao abuso das empresas, é algo realmente revoltante, de se indignar.



- Olá, Angelus, é isso mesmo, como disse mas acima, essa é a geração dos escravos modernos.
Nada amigo, eu que agradeço por retribuir.
Grande abraço

Idéia renovadora rebobinou e disse...

Mas atras disso temos que perceber e observar como é a situação da família desses
trabalhadores explorados!.
As vezes o próprio passa por situações que o obrigam a trabalhar dessa maneira.

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