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O segredo do sucesso de Avatar


Na quarta-feira dia 27 eu fui assistir o filme AVATAR, mas por curiosidade, por ser um filme muito divulgado e por ter quebrado recodes de bilheteria, fiquei curioso em saber o que esse filme tinha de tão especial e sem contar o fato de ser o filme mas caro da história do cinema.



Das camadas de interpretação que Avatar oferece, duas tem sido normalmente utilizadas: a imponência visual do filme e suas diversas “referências” e o mix de clichês dramáticos feitos deslavadamente para tocar o público. Cameron parece ter produzido “apenas” outro sucesso estrondoso de bilheteria, capaz de arrastar multidões semana após semana.

Primeiro, é normal que os críticos mais “ferrenhos” e “alternativos” não gostem de Avatar. Tudo que faz sucesso demais é um alvo em potencial para ser “ruim”. Como se fosse quase um dever “não se dobrar” a produções do tipo.

Sim, todos os clichês estão nesse filme: A fragilidade e sensibilidade dos Na’vi ante o arsenal militar e a crueldade humana, o general fodão extremamente caricato, cheio de cicatrizes e que vai lutar até o último suspiro pra provar sua condição de vilão-mor, a relação inicialmente conflituosa de Jake e Grace que logo vai se transformar num quase mãe e filho, a deficiência física de Sully no mundo “real”, “frio” e detestável dos humanos em contrapartida à extrema liberdade, respeito e amor que seu corpo híbrido lhe oferece em Pandora, o soldado “infiltrado” que rapidamente vai se deixar conquistar por tudo que vê de melhor do outro lado e passará a defender os que eram “inimigos”, a extrema ligação dos nativos com a natureza completamente ignorada pelos humanos e, pra resumir, a história de amor impossível que terá um final inevitavelmente feliz.


diretor : James Cameron

James Cameron reuniu todos estes temas universais com alguns bons atores, uma tecnologia de ponta criando um universo totalmente único, do zero, absolutamente encantador, lançada como “a” experiência cinematográfica mas  imperdível do século (até agora). E é. Muito se fala que o grande trunfo de Avatar é o 3D. Que o filme perde muito sem isso. Discordo. Por mais “bacana” que seja alguns efeitos que o 3D proporciona no cinema, neste sentido não vi nada de absolutamente fundamental que diminuisse tanto o filme na projeção “normal”.

É fácil acusar Avatar de ser mais um filme clichê. O que muitos esquecem é que os “clichês” não surgem à toa, ao acaso, não existem por existir. São, muitas vezes, o que de mais real nós temos. O que fala diretamente à uma certa essência humana, à um sentimento de tradição e herança,do inconsciente coletivo, etc. Tratar os clichês de forma bela e válida não é coisa fácil nem simples. Cameron conseguiu. Palmas pra ele. Sorte a nossa. A ânsia de buscar sempre algo “diferente” demais,parece ser a tentativa de negar algumas das coisas que mais nos definem.


rsrs... A foto de baixo eu coloquei só pra descontrair, mas falando em clichês.

Se a “fórmula” existe, está aí e é tão conhecida de todos, não seria tão fácil produzir um sucesso como Avatar? A cultura pop é repleta de fórmulas amplamente comuns. O cinema, o rock, a literatura, etc, etc. E há reprodutores e gênios. Copiadores vagabundos e gente capaz de produzir coisas únicas em cima dos clichês. Cameron, pra mim, está sempre no segundo grupo. Existirá dramalhão maior que Titanic? E ainda assim é maravilhoso, cativante, marcante.

Para além do espetáculo tecnológico, da fascinação do 3D, do mundo absurdamente orgânico criado em computador por Cameron, a força de Avatar, pra mim, está nesse conto tão conhecido e tão capaz de ter relevância. As formas encontradas pra simbolizar cada relação, principalmente a ligação dos Na’vi com os animais e a natureza (através do cabelo, numa troca direta de energia) me pareceu extremamente bela.


Sobre a tal “consciência ambiental” que o filme trata, creio que Cameron nunca foi ingênuo ao achar que a obra pudesse mudar alguma coisa no mundo fora da tela grande. Todos sabemos que nossa capacidade de auto-destruição, ganância e estupidez costuma ser infinitamente maior que qualquer mensagem que um belo fim em duas horas e meia possa passar.

O mundo será um pouquinho pior quando as duas sequencias já anunciadas de “Avatar” forem lançadas. Cameron pode levar o que criou para onde quiser. E será uma delícia acompanhar. O cinemão, afinal, sempre terá o seu apelo único.

2 Comentários:

Montanari rebobinou e disse...

Pois é né? Agora que vósmecê me contou o filme todo, não vou nem ver! ¬¬'

Brincadeira, hahaha... é que o cinema aqui está R$14,00 e eu não pago isso nem que fosse pra ver o melhor filme do mundo.

Mas ouvi falar mesmo muito bem desse AVATAR, fiquei curioso. Não é um show de inovação, mas dizem que cumpre o que promete.

Uma curiosidade é que o filme AVATAR - The Last Airbender, aqui no Brasil vai se chamar apenas "O último mestre do ar", pra não confundir-se com o mega sucesso de James Camarão.

Gabriel Cavalcante rebobinou e disse...

Eu to louco pra assistir DE NOVO Avatar, foi o melhor filme que eu já assisti em toda minha vida,ao lado de Avatar, Crepúsculo é só um filme morgado, eu realmente gostei desse filme, ah sim vai ter Avatar 2 viu?

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