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A verdadeira história por trás do livro As Viagens de Gulliver


Uma das maiories mostras da prosa satírica, o clássico de Jonathan Swift revela um autor enfurecido com o homem e a sua maneira de se organizar em sociedade.
 
Aos caros amigos Rebobinantes, meu olá. Há alguns dias atrás eu assiti noTelecine o filme As Viagens de Gulliver estrelada por Jack Black no papel de Lemuel Gulliver. Confesso que nunca cheguei a ler o livro, mas conhecia a história e cheguei até a achar que o filme me proporcionaria um pouco de tudo que já ouvi falar dessa afamada história escrita por Jonathan Swift, mas me enganei. 

Com um pouco de atenção dá até para encontrar uma liçãozinha de moral aqui e ali sobre egos inflados e "ser você mesmo". Mas é preciso estar atendo e quase não piscar, mas no quesito diversão para a família acho que o filme cumpriu seu papel, mesmo não tendo gostado muito. Depois de assistir ao filme resolvi me aprofundar um pouco mais na história e buscar o real sentido dessa saga épica, e me maravilhei com o que descobri.


Único sobrevivente de um naufrágio, o médico Lemuel Gulliver consegue alcançar uma praia desconhecida. Exausto, desaba e adormece. Ao acordar, se vê amarrado até os cabelos ao chão e é surpreendido por um homenzinho de menos de 16 cm que, do alto de seu queixo, empunha um arco e flecha. Logo, está na mira de dezenas, centenas de criaturinhas nervosas. O primeiro encontro entre o cirurgião aventureiro e os habitantes de Lilipute é mais do que conhecido. Mas suas viagens o levarão ainda a outras terras tão ou mais estranhas, numa saga que se tornou um texto essencial da literatura infanto-juvenil. 
Antes de seguir adiante, porém, é bom corrigir esse que é um dos maiores equívocos sobre o clássico do irlandês Jonathan Swift: rabugento convicto, dizia não suportar as crianças. Não queria, portanto, escrever para elas. Em carta ao amigo e poeta Alexander Pope, afirmou que pretendia com a obra agredir o mundo, e não diverti-lo.


Jonathan Swift nasceu em Dublin, em 1667, filho de uma inglesa radicada na Irlanda que ficou viúva antes de dar à luz. Abigail Erick custeou os estudos do filho com a ajuda dos cunhados. Ele se formou bacharel em artes e foi morar em Londres, onde tornou-se secretário do diplomata sir William Temple, parente distante de sua mãe. Com o apoio dele, Swift fez o mestrado em Oxford e, ordenado padre em 1695, foi indicado cônego da igreja anglicana em Kilroot, Irlanda.

Ao publicar o livro, em 1726, sob o título Viagens em Diversos Países Remotos do Mundo em Quatro Partes, por Lemuel Gulliver, a Princípio Cirurgião e, Depois, Capitão de Vários Navios, queria, sim, por meio da sátira e ironia afiadas, criar um retrato da natureza humana e atacar sua mesquinhez. Na voz do médico (a quem faltavam pacientes e sobravam vontade de viajar e desânimo com a vida londrina), Swift faz uma dura crítica a formas de pensar e à organização de países, religiões e grupos sociais. O tom fabulesco e a prosa deliciosa, porém, garantiram fãs de todas as idades e o sucesso desde a primeira edição.
O livro conta a incrível história de Lemuel Gulliver. Com o naufrágio de seu navio por uma tempestade, ele é arrastado a Lilliput, uma ilha cujos habitantes eram extremamente pequenos e estavam permanentemente em estado de guerra por absurdas futilidades. Os lilliputianos, para Swift, eram a mais pura representação da realidade inglesa e francesa à sua época.

 No segundo capítulo, em oposição a Liliput, Gulliver conhece Brobdingnag, uma terra de Gigantes. Nessa representação da sociedade inglesa, Swift critica a mediocridade da sociedade inglesa diante da sua pretensa "grandeza".

Na ilha flutuante de Laputa, Swift critica o governo inglês na Irlanda e faz uma condenação feroz ao pensamento cientifico que não tem preocupações com a melhoria da sociedade e não traz benefício algum para a humanidade.

Na última viagem Gulliver encontra uma raça de cavalos inteligentes, os Houyhnhm. Estes, ao que parece, representam seus ideais iluministas da verdade e da razão. Swift, através de Gulliver e suas aventuras por lugares desconhecidos e mares nunca navegados, satiriza o homem, apontando vícios, deformações, propensões censuráveis e imperfeições imperdoáveis da raça humana.
Sua derradeiea obra, chamada A Conversação Polida, escrita em 1738, é o resultado de anos de observação e pesquisa. Desmascara neste ensaio o discurso frívolo dos ingleses, das banalidades e incorreções que levam-no ao ridículo. 

Em 19 de outubro de 1745, surdo e louco, morre Jonathan Swift, em Dublin. No epitáfio escrito por ele mesmo em latim consta: Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade".

É galera, acho que de lá pra cá a humanidade não melhorou muito, até a próxima meu povo.

FonteAventuras na história, imagens retiradas do Google)

9 Comentários:

Sissym rebobinou e disse...

Quando mais jovem eu li um livro das Viagens de Gulliver, francamente, não liguei a mínima.

Depois, quando minha filha gostava que eu lesse para ela, eu tinha um livro bem pequeno, com desenhos, tipo resumidinho mesmo, e ela tambem não ligou.

Eu vi o trailler deste filme, nem sei quando, parece bom, talvez o ator ajude.

Sei lá, as vezes eu cismo com coisas e acabo não me interessando em saber mais.

BEIJOS e bom findi!

Centelha Luminosa rebobinou e disse...

OLá Marcos, boa tarde...ou seria boa noite??

Saudades desse clássico da literatura inglesa, porque assisti muito em outros tempos. Apesar da pouca idade, eu já admirava as sátiras de Jonathan Swift,sobre as sociedades inglesa e francesa da época.
Que bom ter trazido pra comentá-lo, e nos contar mais sobre ele.

Muito obrigado pela visita ao SEMENTES PRECIOSAS...Adorei. Volta mais, volta?

Bjoss da Lu...

lucidreira rebobinou e disse...

Eu estava querendo mesmo saber mais sobre esse Jonathan Swift, sabia que ele deveria ser um louco varrido mesmo, vi um filme na década de 60 na tela gigante As viagens de Guliver e achei muito melhor que a versão atual que já vi duas vezes, ainda não li o livro vou me empenhar e ler-lo.
Abraço

Angelus rebobinou e disse...

Eu nunca li esse livro, mas já conhecia a história por alto. Mas não fazia ideia de todas essas críticas maquiadas na trama. É um jeito muito inteligente de criticar sem ser censurado por isso. Acho que nas mais clássicas histórias infantis tem algo subentendido.

Boa semana. Abraço.

Sérgio Santos rebobinou e disse...

Oi Marcos, eu vi o filme no cinema e também nunca li o livro. Gostei do longa-metragem. E também achei bacana saber mais detalhes no seu post! Abraços!

Flavio Ribeiro rebobinou e disse...

Olá Marcos,
Vi seu comentário lá no me blog "Telinha Crítica" e resolvi vir aqui conhecer seu trabalho. Mas que grata surpresa! Esse livro é um clássico, sendo mais um exemplo de autor que pretendia uma coisa e ficou conhecido por outra, ou seja, ele queria fazer uma crítica a sociedade em que vivia e acabou virando literatura infanto-juvenil e mais tarde um bom filme para a família assistir na seção da tarde.

Muito bom, certamente virei aqui com frequência.

Abraços, Flávio.
--> Blog Telinha Crítica <--

Marcos Mariano rebobinou e disse...

Olá Flavio, vlw pela visita, sinceramente eu nunca tinha me interessado por essa história, sempre ouvi falar dela, mas nunca me interessei. Depois de saber a real intenção do escritor ao escreve-la passei a me interessar, pena que hoje ela vista apenas como um clássico infanto-juvenil.

Jacques rebobinou e disse...

Boa tarde, Marcos.
Eu só fui ler este excelente livro alguns anos atrás, quando o encontrei em um sebo a um preço baixíssimo.
Minha surpresa foi grande quando o li, já que el praticamente desconstrói toda a ase da civilização de sua época, interessante notar que Gulliver hora é gigante e hora é um ser minúsculo, o que simboliza que, aos olhos de pessoas de outros povos, somos o que eles vêem, e não o que achamos que somos.
É um livro obrigatório, de fato.
Abraço.

jaqueline do rosário rebobinou e disse...

Muito bom esse resumo, me ajudou bastante a entender ahisória

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